"(...) O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
_O jardim dos meus versos todo em flor…
A seara dos teus beijos, pão bendito…

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços…
_São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito."

Florbela Espanca

_______________


<BGSOUND SRC="http://www.sonatainblue.com.br/sound/Sarah_McLachlan_-_I_love_you.mid">

o que toca...

I love you

Sarah MaLachlan

_______________


"(...) Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão."
 
Florbela Espanca

_______________

_______________

"(...) Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda (...)"
 
Augusto dos Anjos

_______________

_______________


 "(...) A voz do céu pode vibrar sonora 
ou do Inferno a sinistra sinfonia, 
que num fundo de astral melancolia 
minh'alma com a tu'alma goza e chora. (...)
 
Cruz e Souza

_______________

_______________


" Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!..."
 
Alvares de Azevedo

_______________

 

_______________


" Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces...
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto...
No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida...
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto...
E em minha voz, a tua voz...(...)"
 
Vinícius de Moraes

_______________

_______________

_______________


"(...) Mas a idéia é num mundo inalterável,
Num cristalino céu, que vive estável...
Tu, pensamento, não és fogo, és luz! (...)"
 
Antero de Quental

_______________

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_______________


"Amar! Mas d' um amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
D' uma doida cabeça escandecida (...)"
 
Antero de Quental

_______________

 

 

 

 


_______________


" (...) Para mim, o seu cantar era Divino,
Quando ao som da viola e do bordão,
Cantava com voz rouca, o Desatino,
O Sangue, o riso e as mortes do Sertão(...) "
 
Ariano Suassuna

_______________

- Cantinho da Laranja Lima
- Curta na cozinha
- £a£i.... Mulher... Poema...
- Noites Sem Fim
- Noites Sem Fim II
- Ser Somente Mulher
- Sempre brilhará
- Seu presente... Seu sonho
- Seu presente... seu sonho... II
- Sonhos e carinhos de Timel
- Sou Lali
- Traduções by Francis
- Zumbi escutando blues

_______________

" (...) Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!"

Florbela Espanca

_______________


"(...) Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !(...)"
 
Florbela Espanca

~

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? 

Fernando Pessoa

~

~
 
Não espere me encontrar no texto, não me prenda, não busque no ar a minha forma, ainda que ali eu tenha dito que sou eu, ainda que eu precise que você acredite que me encontrou. Não me faça refém das asas que eu custei tanto a saber como usar, não me escravize no incomensurável outro, não tente me achar onde eu preciso mesmo é me perder.

Ticcia

~

Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
Que coisas eu sonhei.
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
Melhor é nem sonhar nem não sonhar

Fernando Pessoa

~

Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
 
Natália Correia

~

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner Anderson

~

Pudor

Vens, e não sonho mais
Quebra-se a onda do penedo austero.
E o mar recua, sem haver sinais
De que te quero.

Miguel Torga

~

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Fernando Pessoa

~

O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.

Ticcia

~

" Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é (...)"

Fernando Pessoa

~

Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

Clarice Lispector

~

Dorme enquanto eu velo... Deixa-me sonhar... Nada em mim é risonho. Quero-te para sonho, Não para te amar. A tua carne calma É fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços. Nem quero ter nos braços Meu sonho do teu ser. Dorme, dorme. dorme, Vaga em teu sorrir... Sonho-te tão atento Que o sonho é encantamento E eu sonho sem sentir.

Fernando Pessoa

~


"(...) Mas não era isso que eu queria te falar, não.
Não era isso que eu tinha hoje pra te dar. Então se sente aqui do meu lado, e abre as orelhas, olhos e narinas.
Que o que eu tinha pra te contar eu comecei a contar antes de você chegar, e você pegou a história pela metade...
Que o que eu queria te dar de presente eu dei pro vento.
Que o que você perdeu você acha ali, debaixo daquele pano, debaixo daquele pano ali.(...)"

Tito de Andréa

~

Quero o colo da mãe poesia, numa troca sem pudor, sem meias palavras, em tudo sou intensa.

Ledalge

~

"(...) É o tempo, o tempo que leva a vida
Que chora e choro na noite triste.
É a mágoa, a queixa mal definida
De quanto existe, só porque existe."

Fernando Pessoa

~

De canto e hora meu nada se enlouquece
neste espanto de ver e de não ser
e na pergunta a resposta se empobrece
sem luz de outra manhã, o acontecer.
No turbilhão do pequeno
o breve esquece

Salette Tavares

~

Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!

Cecilia Meireles

~

Ficou entre os meus dedos
Como um espólio do sentimento
A sensação dos seus cabelos
Meio grisalhos
Na última noite
Que nos amamos
A que viemos seres humanos?
Se o amor que nos distingue
Como um estorvo em nós se extingue?

Adilson  Rodrigueiro

~

O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.

Ticcia

~

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão? (...)

Cecília Meireles

~

Hoje escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mário Quintana

~

"(...) Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor."

Mário Quintana

~

"(...) Voltei para casa
final da madrugada.
Abracei o travesseiro.
Falei baixinho com ele:
-Vamos ver quem
dorme primeiro? "
 
Rosa Pena

~

Entra e tira o teu agasalho.
Está tanto frio...
Entranhou-se-me até quase às raízes do sentir enquanto te esperava.
Agora que aqui estás, quente que és na tua presença, conforta-me pois preciso tanto.
Já não distingo o corpo da alma, tal é o estado de algidez em que me encontro.
Os troncos que pus na lareira riem-se de mim e recusam-se a arder.
Só o teu abraço me providenciará algum alívio.
Senta-te aqui e recebe-me no teu colo...
Envolve-me com os teus braços e o teu olhar.
Aqueles, aquecer-me-ão o corpo e este o coração.
Deixa-me adormecer assim no teu regaço para que sonhe o que aqui te conto.

Cumplicidades partilhadas

~

E eu, que tanto tremo na sua presença,
Logo eu, que me defino em desejos de sua pele,
Eu, que tanto creio na tua passagem dentro de mim.
Me pego agora me imaginando na ponta de tua língua,
Que põe cacos de mim, e cria delírios de sabores vários,
Minha barriga gela, só de pensar!!!
Meu coração pulsa mais forte, é o desejo que vem quando te penso.
E agora, o que faço já que estás tão longe?
Fico a tua espera te desejando cada vez mais e a cada segundo ?
Ou sumo no mundo pra te encontrar talvez em alguma esquina?
Ah, vou tomar um banho de água fria, pra ver se o desejo que tanto tenho,
Se esvai com a água pelo ralo.
Já que não te tenho, simplesmente me calo...

Viviani Leite

~

Olhos postos na terra
tu virás, no ritmo da própria primavera
e como as flores e os animais
abrírás as mãos
de quem te espera.

Eugénio de Andrade

~

"Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te(...)"

Cecilia Meireles

~

"(...) Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo."

Cecília Meireles

~

Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.

Cecilia Meireles

~

Quando passearemos de mãos enlaçadas sob as árvores? E parados face a face com o abraço subindo, lento e envolvente, da cintura ao peito e aos ombros... Quero sentir-te estremecer da terna expectativa,bem junto a mim, do desejar não querendo, vendo nos teus olhos o contrário do que a tua boca fala. Pois te digo: gosto por demais de ti para me render ao trágico significado da verdade do que dizes. Repete, repete à exaustão a recusa suprema. Não adianta , meu amor! Até à morte, serão somente palavras que não  desfazem a ilusão. Só após ela se tornarão numa realidade que então não terá mais importância.

Maria Branco

~

violetas
lá fora chove
e nada do que digo
é o que queria dizer
: estou imóvel
e tenho a pressa de uma presa sem saída
ante o felino
eternamente a preparar
o bote sem desejo
– e a agonia poreja das paredes
asas coladas
voltamos ao casulo
viscosos seres
unidos no tormento
de um antigo momento que não volta
além dessas janelas
a vida comemora seus enigmas
quatro estações e luas
e o vento vibra
por suas ruas e praças
em curva infiltração
apodrecemos
violetas
o caule a desfazer-se

Adelaide Amorim

~

Dizeis ser possível sentir ciúmes sem ter jamais amado? Sim, é possível, pois existem ciúmes de tão ruim origem que são como abortados filhos do mais cruel rancor.

Calderón

~

Canto[te]

Quero cantar-te todos os pássaros do céu e todas as borboletas do canteiro onde brotam as flores que cultivamos juntos.
Quero cantar-te todas as ondas do mar e todas as dunas que cresceram sobre nós quando dormimos na praia nus e saciados.
Quero cantar-te sem palavras supérfluas todas as odes ao amor de todos os poetas que por ele morreram.
E ao adormeceres ao som do meu canto que o teu sonho se não distinga da minha realidade futura.

Cumplicidades partilhadas

~

"(...) faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -
pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;
ela saíra agora da voracidade de viver.
"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária"
"(...) mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas."

Clarice Lispector

~

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado,as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana

~

Queira me habitar onde eu me escondo
Faz desse lugar só seu no mundo
Quero hospedar-me em você.
E no azul, cor da saudade
no azul, cor do amor
entre compassos e descompassos
Da violeta lembrança e dos vermelhos pesares
Haverá sempre a esperança
de nunca mais fugires...
Nunca mais a dor.

ßorbo

~

E ainda dançarei mil vezes para te fazer sorrir...
Te esperarei mil noites...
Te guardarei mil vezes em meio seio...
Basta te achegares a mim,  e pedir.
Dança!
Espera!
Guarda-me!
E cá estarei a te amar

ßorbo

~

Te amo porque te amo...
E se te amo assim tão plena e simplesmente
É porque não encontrei outra forma de te amar
Que não fosse te amar perdidamente.

ßorbo

~

E perdida no desejo de ser tua
Ergo os braços tentando te alcançar
Mas encontro o vazio em teu lugar..
Tela branca... fria.. inerte...
O vazio de tua ausência...
E assim te afago simplesmente
Nos meus sonhos de te amar
Doce... pura.. encandescente.

ßorbo

~

Amar, é a vontade de estar perto, se longe
e mais perto, se perto.

Vinícius de Morais

~

Queres ir-te embora, mas tu não me levas,
Não, não me levas, não, não me levas.
A tua cara e o amor sob a tília
Lembram-me os teus olhos.

Moldavos O-Zone

~

"Quem se eu gritasse, entre as legiões de Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo anjo é terrível. (...) "

Dante Alighieri

~

"Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema,
pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo..."

Mário Quintana

~

Debruço-me na sua ausência como se o vazio dotado fosse de ombros largos, cor, calor e pudesse me ouvir ao relento roçar o ponto mais sensível da imensa falta que você faz.

Antônio Carlos Mattos

~

Amor meu, desejos vãos, somos nós, nessa vastidão imensa!

E por ser mulher em devaneios vivo.
Criando e re-criando como em um caleidoscópio
os mais lindos sonhos de amor.
Arremessando alto...
Arrebentando grilhões...
superando barreiras...
transpondo distâncias inaceitáveis aos comuns mortais.
Porque sou Mulher !
Porque vivo em ti, e por ti!

ßorbo

~

"(...) Pobre de quem vem perguntando
à pedra esquiva das esquinas
a voz e a face dessa amante
de que não restam senão cinzas! 
Pobre do outro a quem o gelo
daquele encontro tão malsão
nem conseguiu arrefece-lo!
— Pobres de tantos, sem o selo
de garantia da ilusão! (...)"

David Mourão

~

"(...) tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. (...)"

Vinícios de Morais

~

"(...) Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
por vê-los nus e suados. (...)"

Eugénio de Andrade

~

"(...) Embora tenha o sol para me alumiar
e a lua e as estrelas depois do sol se pôr
sem a luz dos teus olhos negros
é sempre negra a noite em meu redor (...)"

Bhartrhari

~

"(...) Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua. (...)"

Sophia de Mello Breyner Andresen

~


Mãos Dadas
 
"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente."
 
Carlos  Drummond de  Andrade

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EXALTAÇÃO

  

Olhas nos olhos meus. E eu vejo neste instante
toda a terra subir a um céu que desconheço.
Olho nos olhos teus. E fica tão distante
o mundo: e todo o fel que ele contém, esqueço.

Sorris... e, contemplando o teu lindo semblante,
o ideal de minha vida, enfim, eu reconheço.
Falas... ouço-te a voz, e, impetuosa, radiante,
num gesto de ternura, os lábios te ofereço.

Beijas a minha boca. E neste beijo grande
- como uma flor que ao sol desabrocha e se espande -,
todo o meu ser palpita e freme e vibra e estua.

Tudo é um sonho, no entanto; o teu beijo... o meu crime.
Mentirosa ilusão! Pobre ilusão que exprime
somente o meu desejo imenso de ser tua!

 [Adelaide Schloenbach Blumenschein (Yde)]

Fonte: Noites Sem Fim, 19/03/2007

""E perdida no desejo de ser tua

Ergo os braços tentando te alcançar

Mas encontro o vazio em teu lugar..

Tela branca... fria.. inerte...

O vazio de tua ausência...

E assim te afago simplesmente

Nos meus sonhos de te amar

Doce... pura.. encandescente."

."



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 23h51
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Soneto XVII



Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascendeu da terra.

Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo diretamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,

senão assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.

[Pablo Neruda]

"Te amo porque te amo...

E se te amo assim tão plena e simplesmente

É porque não encontrei outra forma de te amar

Que não fosse te amar perdidamente."



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 23h11
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Último Soneto
 
 
 
Já da noite o palor me cobre o rosto,
Nos lábios meus o alento desfalece,
Surda agonia o coração fenece,
E devora meu ser mortal desgosto !
 
Do leito, embaldo num macio encosto,
Tento o sono reter ! ... Já esmorece
O corpo exausto que o repouso esquece...
Eis o estado em que a mágoa me tem posto !
 
O adeus, o teu adeus, minha saudade,
Fazem que insano do viver me prive
E tenha os olhos meus na escuridade.
 
Dá-me a esperança com que o ser mantive !
Volve ao amante os olhos, por piedade,
Olhos por quem viveu, quem já não vive !
(Alvares de Azevedo)
Fonte: Noites Sem Fim, 23/03/2007
 
"E ainda dançarei mil vezes para te fazer sorrir...
Te esperarei mil noites...
Te guardarei mil vezes em meio seio...
Basta te achegares a mim,  e pedir.
 Dança!
Espera!
Guarda-me!
E cá estarei a te amar"


- Postado por: ßorbolet@ @zul às 22h46
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Último Soneto
 
Que rosas fugitivas foste ali!
Requeriam-te os tapetes, e vieste...
Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.
 
Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste!
Como fui de percal quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi...
 
Pensei que fosse o meu o teu cansaço
Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava...
 
E fugiste... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a côr se trava?...
 
                                          [Mário de Sá Carneiro]
 
Fonte:Noites Sem Fim 03/03/2007
 
E no azul, cor da saudade
no azul, cor do amor
entre compassos e descompassos
Da violeta lembrança e dos vermelhos pesares
Haverá sempre a esperança
 de nunca mais fugires...
Nunca mais a dor.


- Postado por: ßorbolet@ @zul às 12h28
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MORADA

Deixa-me te amar de qualquer jeito
Arranca, pois, de mim, esta vontade,
Esmaga para sempre esta saudade
Que amarga como fel dentro do peito...

Faze, então, de mim brisa serena
Roçando o teu corpo levemente,
Deixando que este amor tão de repente
Mostre que a loucura vale a pena.

Arranca-me dos lábios o doce mel,
A seiva que alimenta este prazer
E faze-me sentir subindo ao céu!

Não me deixes vagando, assim, ao léu,
Mostra-me com malícia o que é viver,
Descerra do teu corpo a veste, o véu...

[Antonio Sardenberg]

Fonte:Noites Sem Fim 27/02/2007

 

Queira me habitar onde eu me escondo

Faz desse lugar só seu no mundo”

"Quero hospedar-me em você."



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 11h59
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Primeiros Conselhos de Outono

Ouve tu, meu cansado coração,
O que te diz a voz da natureza:
- «Mais te valera, nu e sem defesa,
Ter nascido em aspérrima solidão,

Ter gemido, ainda infante, sobre o chão
Frio e cruel da mais cruel deveza,
Do que embalar-te a Fada da Beleza,
Como embalou, no berço da Ilusão!

Mais valera à tua alma visionária,
Silenciosa e triste ter passado
Por entre o mundo hostil e a turba vária,

(Sem ver uma só flor das mil, que amaste,)
Com ódio e raiva e dor - que ter sonhado
Os sonhos ideais que tu sonhaste!» -

 
[Sonetos de Antero de Quental]
Fonte: Noites Sem Fim - 31/10/2006

Sentar ao pé da árvore e reparar nas folhas secas que se fazem de tapete na tarde quente de ar parado e esfumaçado de queimadas.

Sentir esse calor seco machucar a pele e a fumaça arder os olhos. Fechá-los a ouvir o som do silêncio.

Leve farfalhar das folhas secas no movimento oculto de minúsculos pés que ali passam em busca do alimento escasso...

Esperar no amor... por amor."(Sem ver uma só flor das mil, que amaste,)"



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 15h53
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