"(...) O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
_O jardim dos meus versos todo em flor…
A seara dos teus beijos, pão bendito…

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços…
_São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito."

Florbela Espanca

_______________


<BGSOUND SRC="http://www.sonatainblue.com.br/sound/Sarah_McLachlan_-_I_love_you.mid">

o que toca...

I love you

Sarah MaLachlan

_______________


"(...) Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão."
 
Florbela Espanca

_______________

_______________

"(...) Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda (...)"
 
Augusto dos Anjos

_______________

_______________


 "(...) A voz do céu pode vibrar sonora 
ou do Inferno a sinistra sinfonia, 
que num fundo de astral melancolia 
minh'alma com a tu'alma goza e chora. (...)
 
Cruz e Souza

_______________

_______________


" Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!..."
 
Alvares de Azevedo

_______________

 

_______________


" Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces...
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto...
No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida...
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto...
E em minha voz, a tua voz...(...)"
 
Vinícius de Moraes

_______________

_______________

_______________


"(...) Mas a idéia é num mundo inalterável,
Num cristalino céu, que vive estável...
Tu, pensamento, não és fogo, és luz! (...)"
 
Antero de Quental

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_______________


"Amar! Mas d' um amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
D' uma doida cabeça escandecida (...)"
 
Antero de Quental

_______________

 

 

 

 


_______________


" (...) Para mim, o seu cantar era Divino,
Quando ao som da viola e do bordão,
Cantava com voz rouca, o Desatino,
O Sangue, o riso e as mortes do Sertão(...) "
 
Ariano Suassuna

_______________

- Cantinho da Laranja Lima
- Curta na cozinha
- £a£i.... Mulher... Poema...
- Noites Sem Fim
- Noites Sem Fim II
- Ser Somente Mulher
- Sempre brilhará
- Seu presente... Seu sonho
- Seu presente... seu sonho... II
- Sonhos e carinhos de Timel
- Sou Lali
- Traduções by Francis
- Zumbi escutando blues

_______________

" (...) Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!"

Florbela Espanca

_______________


"(...) Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !(...)"
 
Florbela Espanca

~

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? 

Fernando Pessoa

~

~
 
Não espere me encontrar no texto, não me prenda, não busque no ar a minha forma, ainda que ali eu tenha dito que sou eu, ainda que eu precise que você acredite que me encontrou. Não me faça refém das asas que eu custei tanto a saber como usar, não me escravize no incomensurável outro, não tente me achar onde eu preciso mesmo é me perder.

Ticcia

~

Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
Que coisas eu sonhei.
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
Melhor é nem sonhar nem não sonhar

Fernando Pessoa

~

Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
 
Natália Correia

~

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner Anderson

~

Pudor

Vens, e não sonho mais
Quebra-se a onda do penedo austero.
E o mar recua, sem haver sinais
De que te quero.

Miguel Torga

~

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Fernando Pessoa

~

O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.

Ticcia

~

" Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é (...)"

Fernando Pessoa

~

Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

Clarice Lispector

~

Dorme enquanto eu velo... Deixa-me sonhar... Nada em mim é risonho. Quero-te para sonho, Não para te amar. A tua carne calma É fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços. Nem quero ter nos braços Meu sonho do teu ser. Dorme, dorme. dorme, Vaga em teu sorrir... Sonho-te tão atento Que o sonho é encantamento E eu sonho sem sentir.

Fernando Pessoa

~


"(...) Mas não era isso que eu queria te falar, não.
Não era isso que eu tinha hoje pra te dar. Então se sente aqui do meu lado, e abre as orelhas, olhos e narinas.
Que o que eu tinha pra te contar eu comecei a contar antes de você chegar, e você pegou a história pela metade...
Que o que eu queria te dar de presente eu dei pro vento.
Que o que você perdeu você acha ali, debaixo daquele pano, debaixo daquele pano ali.(...)"

Tito de Andréa

~

Quero o colo da mãe poesia, numa troca sem pudor, sem meias palavras, em tudo sou intensa.

Ledalge

~

"(...) É o tempo, o tempo que leva a vida
Que chora e choro na noite triste.
É a mágoa, a queixa mal definida
De quanto existe, só porque existe."

Fernando Pessoa

~

De canto e hora meu nada se enlouquece
neste espanto de ver e de não ser
e na pergunta a resposta se empobrece
sem luz de outra manhã, o acontecer.
No turbilhão do pequeno
o breve esquece

Salette Tavares

~

Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!

Cecilia Meireles

~

Ficou entre os meus dedos
Como um espólio do sentimento
A sensação dos seus cabelos
Meio grisalhos
Na última noite
Que nos amamos
A que viemos seres humanos?
Se o amor que nos distingue
Como um estorvo em nós se extingue?

Adilson  Rodrigueiro

~

O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.

Ticcia

~

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão? (...)

Cecília Meireles

~

Hoje escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mário Quintana

~

"(...) Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor."

Mário Quintana

~

"(...) Voltei para casa
final da madrugada.
Abracei o travesseiro.
Falei baixinho com ele:
-Vamos ver quem
dorme primeiro? "
 
Rosa Pena

~

Entra e tira o teu agasalho.
Está tanto frio...
Entranhou-se-me até quase às raízes do sentir enquanto te esperava.
Agora que aqui estás, quente que és na tua presença, conforta-me pois preciso tanto.
Já não distingo o corpo da alma, tal é o estado de algidez em que me encontro.
Os troncos que pus na lareira riem-se de mim e recusam-se a arder.
Só o teu abraço me providenciará algum alívio.
Senta-te aqui e recebe-me no teu colo...
Envolve-me com os teus braços e o teu olhar.
Aqueles, aquecer-me-ão o corpo e este o coração.
Deixa-me adormecer assim no teu regaço para que sonhe o que aqui te conto.

Cumplicidades partilhadas

~

E eu, que tanto tremo na sua presença,
Logo eu, que me defino em desejos de sua pele,
Eu, que tanto creio na tua passagem dentro de mim.
Me pego agora me imaginando na ponta de tua língua,
Que põe cacos de mim, e cria delírios de sabores vários,
Minha barriga gela, só de pensar!!!
Meu coração pulsa mais forte, é o desejo que vem quando te penso.
E agora, o que faço já que estás tão longe?
Fico a tua espera te desejando cada vez mais e a cada segundo ?
Ou sumo no mundo pra te encontrar talvez em alguma esquina?
Ah, vou tomar um banho de água fria, pra ver se o desejo que tanto tenho,
Se esvai com a água pelo ralo.
Já que não te tenho, simplesmente me calo...

Viviani Leite

~

Olhos postos na terra
tu virás, no ritmo da própria primavera
e como as flores e os animais
abrírás as mãos
de quem te espera.

Eugénio de Andrade

~

"Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te(...)"

Cecilia Meireles

~

"(...) Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo."

Cecília Meireles

~

Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.

Cecilia Meireles

~

Quando passearemos de mãos enlaçadas sob as árvores? E parados face a face com o abraço subindo, lento e envolvente, da cintura ao peito e aos ombros... Quero sentir-te estremecer da terna expectativa,bem junto a mim, do desejar não querendo, vendo nos teus olhos o contrário do que a tua boca fala. Pois te digo: gosto por demais de ti para me render ao trágico significado da verdade do que dizes. Repete, repete à exaustão a recusa suprema. Não adianta , meu amor! Até à morte, serão somente palavras que não  desfazem a ilusão. Só após ela se tornarão numa realidade que então não terá mais importância.

Maria Branco

~

violetas
lá fora chove
e nada do que digo
é o que queria dizer
: estou imóvel
e tenho a pressa de uma presa sem saída
ante o felino
eternamente a preparar
o bote sem desejo
– e a agonia poreja das paredes
asas coladas
voltamos ao casulo
viscosos seres
unidos no tormento
de um antigo momento que não volta
além dessas janelas
a vida comemora seus enigmas
quatro estações e luas
e o vento vibra
por suas ruas e praças
em curva infiltração
apodrecemos
violetas
o caule a desfazer-se

Adelaide Amorim

~

Dizeis ser possível sentir ciúmes sem ter jamais amado? Sim, é possível, pois existem ciúmes de tão ruim origem que são como abortados filhos do mais cruel rancor.

Calderón

~

Canto[te]

Quero cantar-te todos os pássaros do céu e todas as borboletas do canteiro onde brotam as flores que cultivamos juntos.
Quero cantar-te todas as ondas do mar e todas as dunas que cresceram sobre nós quando dormimos na praia nus e saciados.
Quero cantar-te sem palavras supérfluas todas as odes ao amor de todos os poetas que por ele morreram.
E ao adormeceres ao som do meu canto que o teu sonho se não distinga da minha realidade futura.

Cumplicidades partilhadas

~

"(...) faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -
pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;
ela saíra agora da voracidade de viver.
"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária"
"(...) mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas."

Clarice Lispector

~

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado,as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana

~

Queira me habitar onde eu me escondo
Faz desse lugar só seu no mundo
Quero hospedar-me em você.
E no azul, cor da saudade
no azul, cor do amor
entre compassos e descompassos
Da violeta lembrança e dos vermelhos pesares
Haverá sempre a esperança
de nunca mais fugires...
Nunca mais a dor.

ßorbo

~

E ainda dançarei mil vezes para te fazer sorrir...
Te esperarei mil noites...
Te guardarei mil vezes em meio seio...
Basta te achegares a mim,  e pedir.
Dança!
Espera!
Guarda-me!
E cá estarei a te amar

ßorbo

~

Te amo porque te amo...
E se te amo assim tão plena e simplesmente
É porque não encontrei outra forma de te amar
Que não fosse te amar perdidamente.

ßorbo

~

E perdida no desejo de ser tua
Ergo os braços tentando te alcançar
Mas encontro o vazio em teu lugar..
Tela branca... fria.. inerte...
O vazio de tua ausência...
E assim te afago simplesmente
Nos meus sonhos de te amar
Doce... pura.. encandescente.

ßorbo

~

Amar, é a vontade de estar perto, se longe
e mais perto, se perto.

Vinícius de Morais

~

Queres ir-te embora, mas tu não me levas,
Não, não me levas, não, não me levas.
A tua cara e o amor sob a tília
Lembram-me os teus olhos.

Moldavos O-Zone

~

"Quem se eu gritasse, entre as legiões de Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo anjo é terrível. (...) "

Dante Alighieri

~

"Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema,
pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo..."

Mário Quintana

~

Debruço-me na sua ausência como se o vazio dotado fosse de ombros largos, cor, calor e pudesse me ouvir ao relento roçar o ponto mais sensível da imensa falta que você faz.

Antônio Carlos Mattos

~

Amor meu, desejos vãos, somos nós, nessa vastidão imensa!

E por ser mulher em devaneios vivo.
Criando e re-criando como em um caleidoscópio
os mais lindos sonhos de amor.
Arremessando alto...
Arrebentando grilhões...
superando barreiras...
transpondo distâncias inaceitáveis aos comuns mortais.
Porque sou Mulher !
Porque vivo em ti, e por ti!

ßorbo

~

"(...) Pobre de quem vem perguntando
à pedra esquiva das esquinas
a voz e a face dessa amante
de que não restam senão cinzas! 
Pobre do outro a quem o gelo
daquele encontro tão malsão
nem conseguiu arrefece-lo!
— Pobres de tantos, sem o selo
de garantia da ilusão! (...)"

David Mourão

~

"(...) tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. (...)"

Vinícios de Morais

~

"(...) Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
por vê-los nus e suados. (...)"

Eugénio de Andrade

~

"(...) Embora tenha o sol para me alumiar
e a lua e as estrelas depois do sol se pôr
sem a luz dos teus olhos negros
é sempre negra a noite em meu redor (...)"

Bhartrhari

~

"(...) Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua. (...)"

Sophia de Mello Breyner Andresen

~


Mãos Dadas
 
"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente."
 
Carlos  Drummond de  Andrade

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Versos Íntimos

 

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

     -  Augusto dos Anjos-

"...E o Corvo, na noite infinda, está ainda, está ainda,/ No alvo busto de Atena que há por sobre os meus umbrais./ Seu olhar tem a medonha dor de um demônio que sonha,/ E a luz lança-lhe a tristonha sombra no chão mais e mais./ E a minha alma dessa sombra que no chão há de mais e mais,/ Libertar-se-á... nunca mais!...
Trecho do poema "O CORVO" de Edgard Allan Poe



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 22h49
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Com que voz chorarei meu triste fado




Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura prisão me sepultou,
que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado?

Mas chorar não se estima neste estado,
onde suspirar nunca aproveitou;
triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.

Assi a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima o pé que o sofre e sente!

De tanto mal a causa é amor puro,
devido a quem de mi tenho ausente
por quem a vida, e bens dela, aventuro.
[Luis Vaz de Camões]

VOZ QUE SE CALA

Amo as pedras, os astros e o luar
Que beija as ervas do atalho escuro,
Amo as águas de anil e o doce olhar
Dos animais, divinamente puro.

Amo a hera que entende a voz do muro
E dos sapos, o brando tilintar
De cristais que se afagam devagar,
E da minha charneca o rosto duro.

Amo todos os sonhos que se calam
De corações que sentem e não falam,
Tudo o que é Infinito e pequenino!

Asa que nos protege a todos nós!
Soluço imenso, eterno, que é a voz
Do nosso grande e mísero Destino!...

[Florbela Espanca]

Fonte: Seu Presente... Seu Sono Junho/2006

O dia morre ao entardecer, e com ele/ Morrem as minhas esperanças./ Os últimos vestígios do sol,/ As últimas lembranças.../Das minha rimas: eras a deusa inspiradora./ O entusiasmo agora acabou!/ O céu: eras tu? Que,/ Sobre minha cabeça desabou!Não conta teu olhar mais histórias,/ Como contara outrora: Teu passado, tuas glórias,/ O amanhecer, a última aurora...Desça noite de trevas, caia,/ Desabe sobre minh'alma Refúgio de paz horrenda que me acalma./ Sepulte-me aí contigo(- M.Isotton -)



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 01h42
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A SAUDADE SEMPRE PEDE MAIS



A saudade que agora me procura
É como a brisa que vem lá de fora
Rompendo a madrugada e abrindo a aurora
Do meu olhar descrente de ventura.

Mas a dor que me aflige é uma ternura,
Pois que ela é teu pedaço que em mim mora,
E só ponho no olhar minha amargura,
Quando a tua lembrança vai embora...

A dor ofende como uma saudade,
É que a dor incide e a saudade invade,
As duas se assemelham, são iguais.

A saudade que chega dói demais,
E a dor magoa a gente sem piedade
Porque a saudade sempre pede mais.

[José Antonio Jacob]

"Ai quem me dera uma feliz mentira,
Que fosse uma verdade para mim!"
J.Dantas



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 01h10
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Não pode Amor por mais que as falas mude

Não pode Amor por mais que as falas mude
exprimir quanto pesa ou quanto mede.
Se acaso a comoção falar concede
é tão mesquinho o tom que o desilude.

Busca no rosto a cor que mais o ajude,
magoado parecer aos olhos pede,
pois quando a fala a tudo o mais excede
não pose ser Amor com tal virtude.

Também eu das palavras me arreceio,
também sofro do mal sem saber onde
busque a expressão maior do meu anseio.

E acaso perde, o Amor que a fala esconde,
em verdade, em beleza em doce enleio?
Olha bem os meus olhos, e responde.

António Gedeão

Meus olhos são poliglotas, falam de minha paixão.
Falam, mais você não nota ou faz de conta que não.
Meus olhos falam o árabe, o javanês, o alemão.
Falam, mas você não sabe ou faz de conta que não.
Meus olhos falam do A ao Z, falam de amor, mas em vão.
Pois falam e você não vê ou faz de conta que não.
Meus olhos pedem socorro, só um minuto de atenção.
E você não vê que eu morro ou faz de conta que não.

[MARIO NEVES - Do livro Itá Poetas e Poemas pg.89.]



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 15h23
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Soneto da Saudade

Quando sentires a saudade retroar

Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.

E ternamente te direi a sussurrar:

O nosso amor a cada instante está mais vivo!



Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos

Uma voz macia a recitar muitos poemas...

E a te expressar que este amor em nós ungido

Suportará toda distância sem problemas...



Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve

Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,

Como uma gota de orvalho indo ao chão.



Lembrar-te-ás toda a ternura que expressamos,

Sempre que juntos, a emoção que partilhamos...

Nem a distância apaga a chama da paixão.

[ Guimarães Rosa]

Começa a entardecer. Amor, é tarde...
- Descansa no meu peito a tua fonte,
e vê o Sol baixando no horizonte,
em chamas de ouro, como brilha e arde.


Agora, resignados, sem alarde,
vamos descendo a encosta deste monte.
- Já não tenho mais versos que te conte,
e nem um verso eterno em que te guarde!...


Calam-se os passarinhos no arvoredo.
- É a noite que vem. Não tenhas medo.
Acabaram-se os cantos festivais.


Silêncio. Solidão. Ninguém se afoite...
Anoitecer que importa, se é de noite
que os beijos de quem ama sabem mais.
(Espinola de Mendonça)


- Postado por: ßorbolet@ @zul às 03h08
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Espera...

Não me digas adeus, ó sombra amiga,
Abranda mais o ritmo dos teus passos;
Sente o perfume da paixão antiga,
Dos nossos bons e cândidos abraços!

Sou a dona dos místicos cansaços,
A fantástica e estranha rapariga
Que um dia ficou presa nos teus braços...
Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

Teu amor fez de mim um lago triste:
Quantas ondas a rir que não lhe ouviste,
Quanta canção de ondinas lá no fundo!

Espera... espera... ó minha sombra amada...
Vê que pra além de mim já não há nada
E nunca mais me encontras neste mundo!...

[Florbela Espanca]

"(...)Voltei para casa
final da madrugada.
Abracei o travesseiro.
Falei baixinho com ele:
-Vamos ver quem
dorme primeiro?"

(Rosa Pena)



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 00h35
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Soneto do amigo



Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

[Vinicius de Moraes]

Fonte: http://www.pensador.info/

(...)Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor.(Mário Quintana)



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 00h19
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