"(...) O mundo ? O que é o mundo, ó meu Amor ?
_O jardim dos meus versos todo em flor…
A seara dos teus beijos, pão bendito…

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços…
_São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito."

Florbela Espanca

_______________


<BGSOUND SRC="http://www.sonatainblue.com.br/sound/Sarah_McLachlan_-_I_love_you.mid">

o que toca...

I love you

Sarah MaLachlan

_______________


"(...) Por aquela tão doce
e tão breve ilusão
Embora nunca mais
Depois de que a vi desfeita
Eu volte a ser quem fui
Sem ironia aceita
A minha gratidão."
 
Florbela Espanca

_______________

_______________

"(...) Sabe que sofre, mas o que não sabe
E que essa mágoa infinda assim não cabe
Na sua vida, é que essa mágoa infinda (...)"
 
Augusto dos Anjos

_______________

_______________


 "(...) A voz do céu pode vibrar sonora 
ou do Inferno a sinistra sinfonia, 
que num fundo de astral melancolia 
minh'alma com a tu'alma goza e chora. (...)
 
Cruz e Souza

_______________

_______________


" Sou o sonho de tua esperança,
Tua febre que nunca descansa,
O delírio que te há de matar!..."
 
Alvares de Azevedo

_______________

 

_______________


" Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces...
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres exausto...
No entanto a tua presença é qualquer coisa, como a luz e a vida...
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto...
E em minha voz, a tua voz...(...)"
 
Vinícius de Moraes

_______________

_______________

_______________


"(...) Mas a idéia é num mundo inalterável,
Num cristalino céu, que vive estável...
Tu, pensamento, não és fogo, és luz! (...)"
 
Antero de Quental

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_______________


"Amar! Mas d' um amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
D' uma doida cabeça escandecida (...)"
 
Antero de Quental

_______________

 

 

 

 


_______________


" (...) Para mim, o seu cantar era Divino,
Quando ao som da viola e do bordão,
Cantava com voz rouca, o Desatino,
O Sangue, o riso e as mortes do Sertão(...) "
 
Ariano Suassuna

_______________

- Cantinho da Laranja Lima
- Curta na cozinha
- £a£i.... Mulher... Poema...
- Noites Sem Fim
- Noites Sem Fim II
- Ser Somente Mulher
- Sempre brilhará
- Seu presente... Seu sonho
- Seu presente... seu sonho... II
- Sonhos e carinhos de Timel
- Sou Lali
- Traduções by Francis
- Zumbi escutando blues

_______________

" (...) Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda…
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei…
E nesse beijo, amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!"

Florbela Espanca

_______________


"(...) Porque o meu Reino fica para além ...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus !
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém !(...)"
 
Florbela Espanca

~

Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo? 

Fernando Pessoa

~

~
 
Não espere me encontrar no texto, não me prenda, não busque no ar a minha forma, ainda que ali eu tenha dito que sou eu, ainda que eu precise que você acredite que me encontrou. Não me faça refém das asas que eu custei tanto a saber como usar, não me escravize no incomensurável outro, não tente me achar onde eu preciso mesmo é me perder.

Ticcia

~

Durmo. Se sonho, ao despertar não sei
Que coisas eu sonhei.
Durmo. Se durmo sem sonhar, desperto
Para um espaço aberto
Que não conheço, pois que despertei
Para o que inda não sei.
Melhor é nem sonhar nem não sonhar

Fernando Pessoa

~

Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
 
Natália Correia

~

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner Anderson

~

Pudor

Vens, e não sonho mais
Quebra-se a onda do penedo austero.
E o mar recua, sem haver sinais
De que te quero.

Miguel Torga

~

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.

Fernando Pessoa

~

O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.

Ticcia

~

" Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é (...)"

Fernando Pessoa

~

Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

Clarice Lispector

~

Dorme enquanto eu velo... Deixa-me sonhar... Nada em mim é risonho. Quero-te para sonho, Não para te amar. A tua carne calma É fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços. Nem quero ter nos braços Meu sonho do teu ser. Dorme, dorme. dorme, Vaga em teu sorrir... Sonho-te tão atento Que o sonho é encantamento E eu sonho sem sentir.

Fernando Pessoa

~


"(...) Mas não era isso que eu queria te falar, não.
Não era isso que eu tinha hoje pra te dar. Então se sente aqui do meu lado, e abre as orelhas, olhos e narinas.
Que o que eu tinha pra te contar eu comecei a contar antes de você chegar, e você pegou a história pela metade...
Que o que eu queria te dar de presente eu dei pro vento.
Que o que você perdeu você acha ali, debaixo daquele pano, debaixo daquele pano ali.(...)"

Tito de Andréa

~

Quero o colo da mãe poesia, numa troca sem pudor, sem meias palavras, em tudo sou intensa.

Ledalge

~

"(...) É o tempo, o tempo que leva a vida
Que chora e choro na noite triste.
É a mágoa, a queixa mal definida
De quanto existe, só porque existe."

Fernando Pessoa

~

De canto e hora meu nada se enlouquece
neste espanto de ver e de não ser
e na pergunta a resposta se empobrece
sem luz de outra manhã, o acontecer.
No turbilhão do pequeno
o breve esquece

Salette Tavares

~

Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!

Cecilia Meireles

~

Ficou entre os meus dedos
Como um espólio do sentimento
A sensação dos seus cabelos
Meio grisalhos
Na última noite
Que nos amamos
A que viemos seres humanos?
Se o amor que nos distingue
Como um estorvo em nós se extingue?

Adilson  Rodrigueiro

~

O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono.

Ticcia

~

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão? (...)

Cecília Meireles

~

Hoje escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!

Mário Quintana

~

"(...) Amor é síntese
É uma integração de dados
Não há que tirar nem pôr
Não me corte em fatias
Ninguém consegue abraçar um pedaço
Me envolva todo em seus braços
E eu serei o perfeito amor."

Mário Quintana

~

"(...) Voltei para casa
final da madrugada.
Abracei o travesseiro.
Falei baixinho com ele:
-Vamos ver quem
dorme primeiro? "
 
Rosa Pena

~

Entra e tira o teu agasalho.
Está tanto frio...
Entranhou-se-me até quase às raízes do sentir enquanto te esperava.
Agora que aqui estás, quente que és na tua presença, conforta-me pois preciso tanto.
Já não distingo o corpo da alma, tal é o estado de algidez em que me encontro.
Os troncos que pus na lareira riem-se de mim e recusam-se a arder.
Só o teu abraço me providenciará algum alívio.
Senta-te aqui e recebe-me no teu colo...
Envolve-me com os teus braços e o teu olhar.
Aqueles, aquecer-me-ão o corpo e este o coração.
Deixa-me adormecer assim no teu regaço para que sonhe o que aqui te conto.

Cumplicidades partilhadas

~

E eu, que tanto tremo na sua presença,
Logo eu, que me defino em desejos de sua pele,
Eu, que tanto creio na tua passagem dentro de mim.
Me pego agora me imaginando na ponta de tua língua,
Que põe cacos de mim, e cria delírios de sabores vários,
Minha barriga gela, só de pensar!!!
Meu coração pulsa mais forte, é o desejo que vem quando te penso.
E agora, o que faço já que estás tão longe?
Fico a tua espera te desejando cada vez mais e a cada segundo ?
Ou sumo no mundo pra te encontrar talvez em alguma esquina?
Ah, vou tomar um banho de água fria, pra ver se o desejo que tanto tenho,
Se esvai com a água pelo ralo.
Já que não te tenho, simplesmente me calo...

Viviani Leite

~

Olhos postos na terra
tu virás, no ritmo da própria primavera
e como as flores e os animais
abrírás as mãos
de quem te espera.

Eugénio de Andrade

~

"Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te(...)"

Cecilia Meireles

~

"(...) Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo."

Cecília Meireles

~

Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.

Cecilia Meireles

~

Quando passearemos de mãos enlaçadas sob as árvores? E parados face a face com o abraço subindo, lento e envolvente, da cintura ao peito e aos ombros... Quero sentir-te estremecer da terna expectativa,bem junto a mim, do desejar não querendo, vendo nos teus olhos o contrário do que a tua boca fala. Pois te digo: gosto por demais de ti para me render ao trágico significado da verdade do que dizes. Repete, repete à exaustão a recusa suprema. Não adianta , meu amor! Até à morte, serão somente palavras que não  desfazem a ilusão. Só após ela se tornarão numa realidade que então não terá mais importância.

Maria Branco

~

violetas
lá fora chove
e nada do que digo
é o que queria dizer
: estou imóvel
e tenho a pressa de uma presa sem saída
ante o felino
eternamente a preparar
o bote sem desejo
– e a agonia poreja das paredes
asas coladas
voltamos ao casulo
viscosos seres
unidos no tormento
de um antigo momento que não volta
além dessas janelas
a vida comemora seus enigmas
quatro estações e luas
e o vento vibra
por suas ruas e praças
em curva infiltração
apodrecemos
violetas
o caule a desfazer-se

Adelaide Amorim

~

Dizeis ser possível sentir ciúmes sem ter jamais amado? Sim, é possível, pois existem ciúmes de tão ruim origem que são como abortados filhos do mais cruel rancor.

Calderón

~

Canto[te]

Quero cantar-te todos os pássaros do céu e todas as borboletas do canteiro onde brotam as flores que cultivamos juntos.
Quero cantar-te todas as ondas do mar e todas as dunas que cresceram sobre nós quando dormimos na praia nus e saciados.
Quero cantar-te sem palavras supérfluas todas as odes ao amor de todos os poetas que por ele morreram.
E ao adormeceres ao som do meu canto que o teu sonho se não distinga da minha realidade futura.

Cumplicidades partilhadas

~

"(...) faz de conta que ela nao estava chorando por dentro -
pois agora mansamente, embora de olhos secos, o coração estava molhado;
ela saíra agora da voracidade de viver.
"Terei toda a aparência de quem falhou, e só eu saberei se foi a falha necessária"
"(...) mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas."

Clarice Lispector

~

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado,as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Mário Quintana

~

Queira me habitar onde eu me escondo
Faz desse lugar só seu no mundo
Quero hospedar-me em você.
E no azul, cor da saudade
no azul, cor do amor
entre compassos e descompassos
Da violeta lembrança e dos vermelhos pesares
Haverá sempre a esperança
de nunca mais fugires...
Nunca mais a dor.

ßorbo

~

E ainda dançarei mil vezes para te fazer sorrir...
Te esperarei mil noites...
Te guardarei mil vezes em meio seio...
Basta te achegares a mim,  e pedir.
Dança!
Espera!
Guarda-me!
E cá estarei a te amar

ßorbo

~

Te amo porque te amo...
E se te amo assim tão plena e simplesmente
É porque não encontrei outra forma de te amar
Que não fosse te amar perdidamente.

ßorbo

~

E perdida no desejo de ser tua
Ergo os braços tentando te alcançar
Mas encontro o vazio em teu lugar..
Tela branca... fria.. inerte...
O vazio de tua ausência...
E assim te afago simplesmente
Nos meus sonhos de te amar
Doce... pura.. encandescente.

ßorbo

~

Amar, é a vontade de estar perto, se longe
e mais perto, se perto.

Vinícius de Morais

~

Queres ir-te embora, mas tu não me levas,
Não, não me levas, não, não me levas.
A tua cara e o amor sob a tília
Lembram-me os teus olhos.

Moldavos O-Zone

~

"Quem se eu gritasse, entre as legiões de Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-me-ia
sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo
senão o grau do Terrível que ainda suportamos
e que admiramos porque, impassível, desdenha
destruir-nos? Todo anjo é terrível. (...) "

Dante Alighieri

~

"Se alguém te perguntar o quiseste dizer com um poema,
pergunta-lhe o que Deus quis dizer com este mundo..."

Mário Quintana

~

Debruço-me na sua ausência como se o vazio dotado fosse de ombros largos, cor, calor e pudesse me ouvir ao relento roçar o ponto mais sensível da imensa falta que você faz.

Antônio Carlos Mattos

~

Amor meu, desejos vãos, somos nós, nessa vastidão imensa!

E por ser mulher em devaneios vivo.
Criando e re-criando como em um caleidoscópio
os mais lindos sonhos de amor.
Arremessando alto...
Arrebentando grilhões...
superando barreiras...
transpondo distâncias inaceitáveis aos comuns mortais.
Porque sou Mulher !
Porque vivo em ti, e por ti!

ßorbo

~

"(...) Pobre de quem vem perguntando
à pedra esquiva das esquinas
a voz e a face dessa amante
de que não restam senão cinzas! 
Pobre do outro a quem o gelo
daquele encontro tão malsão
nem conseguiu arrefece-lo!
— Pobres de tantos, sem o selo
de garantia da ilusão! (...)"

David Mourão

~

"(...) tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada.
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite.
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa.
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos.
Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. (...)"

Vinícios de Morais

~

"(...) Canto porque o amor apetece.
Porque o feno amadurece
nos teus braços deslumbrados.
Porque o meu corpo estremece
por vê-los nus e suados. (...)"

Eugénio de Andrade

~

"(...) Embora tenha o sol para me alumiar
e a lua e as estrelas depois do sol se pôr
sem a luz dos teus olhos negros
é sempre negra a noite em meu redor (...)"

Bhartrhari

~

"(...) Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua
Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua. (...)"

Sophia de Mello Breyner Andresen

~


Mãos Dadas
 
"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente,
os homens presentes, a vida presente."
 
Carlos  Drummond de  Andrade

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Versos! Versos! Sei lá o que são versos…
Pedaços de sorriso, branca espuma,
Gargalhadas de luz. cantos dispersos,
Ou pétalas que caem uma a uma.

Versos!… Sei lá! Um verso é teu olhar,
Um verso é teu sorriso e os de Dante
Eram o seu amor a soluçar
Aos pés da sua estremecida amante!

Meus versos!… Sei eu lá também que são…
Sei lá! Sei lá!… Meu pobre coração
Partido em mil pedaços são talvez…

Versos! Versos! Sei lá o que são versos..
Meus soluços de dor que andam dispersos
Por este grande amor em que não crês!…

Florbela Espanca - Trocando olhares - 29/07/1916

 
 
Por quem foi que me trocaram
Quando estava a olhar pra ti?
Pousa a tua mão na minha
E, sem me olhares, sorri.
 
Sorri do teu pensamento
Porque eu só quero pensar
Que é de mim que ele está feito
É que o tens para mo dar.
 
Depois aperta-me a mão
E vira os olhos a mim...
Por quem foi que me trocaram
Quando estás a olhar-me assim?
-Fernando Pessoa -


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Horas breves de meu contentamento

Horas breves de meu contentamento
Nunca me pareceu quando vos tinha,
Que vos visse mudadas tão asinha
Em tão compridos anos de tormento.

As altas tôrres, que fundei no vento,
Levou, em fim, o vento que as sostinha;
Do mal que me ficou a culpa é minha,
Pois sôbre cousas vãs fiz fundamento.

Amor com brandas mostras aparece:
Tudo possível faz, tudo assegura;
Mas logo no melhor desaparece.

Estranho mal! Estranha desventura!
Por um pequeno bem, que desfalece,
Um bem aventurar, que sempre dura!

-Luís Vaz de Camões-

A MINHA AVÓ

Minh'alma vai cantar, alma sagrada!
Raio de sol dos meus primeiros dias...
Gota de luz nas regiões sombrias
De minha vida triste e amargurada.

Minh'alma vai cantar, velhinha amada!
Rio onde correm minhas alegrias...
Anjo bendito que me refugias
Nas tuas asas contra a sina irada!

Minh'alma vai cantar... Transforma o seio
N'um cofre santo de carícias cheio,
Para este livro todo o meu tesouro... -

Eu quero vê-lo, em desejada calma,
No rico santuário de tu'alma...
- Hóstia guardada n'um cibório de ouro! -

-Auta de Souza -

"Hoje escrevi um poema triste
E belo, apenas da sua tristeza.
Não vem de ti essa tristeza
Mas das mudanças do Tempo,
Que ora nos traz esperanças
Ora nos dá incerteza...
Nem importa, ao velho Tempo,
Que sejas fiel ou infiel...
Eu fico, junto à correnteza,
Olhando as horas tão breves...
E das cartas que me escreves
Faço barcos de papel!"

(Mário Miranda Qintana)



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 23h31
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O amor antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
a antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.

-Carlos Drummond de Andrade-

 

A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
(...)-Cecília Meireles -



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 22h14
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Poema

Belos olhos que fingem não me ver
Mornos suspiros, lágrimas jorradas
Tantas noite em vão desperdiçadas
Tantos dias que em vão vi renascer;

Queixas febris, vontades obstinadas
Tempo perdido, penas sem dizer,
Mil mortes me aguardando em mil ciladas
Que o destino me armou por me perder.

Risos, fronte, cabelos, mãos e dedos
Viola, alaúde, voz que diz segredos
À fêmea em cujo peito a chama nasce!

E quanto mais me queima, mas lamento
Que desse fogo que arde tão violento
Nem uma só fagulha te alcançasse.

- Louize Labé -(Tradução Sergio Duarte)

 

PORQUE…

 

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem

E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos

E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

[ Sophia de Mello Breyner ]



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 22h18
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Charneca em flor

 

Enche o meu peito, num encanto mago,
O frêmito das coisas dolorosas...
Sob as urzes queimadas nascem rosas...
Nos meus olhos as lágrimas apago...

Anseio! Asas abertas! O que trago
Em mim? Eu oiço bocas silenciosas
Murmurar-me as palavras misteriosas
Que perturbam meu ser como um afago!

E nesta febre ansiosa que me invade,
Dispo a minha mortalha, o meu burel,
E, já não sou, Amor, Sóror Saudade...

Olhos a arder em êxtases de amor,
Boca a saber a sol, a fruto, a mel:
Sou a charneca rude a abrir em flor!

-Florbela espanca-

 

O mundo em silêncio e, em algum lugar, tua carne ainda ocupa o centro de mim, teu nome se reveza entre meus olhos e minha boca, sem que eu saiba que forma ele finalmente terá. Tem garras, o teu nome. Tem também um sumo que arde quando escala a garganta e me põe essa dor paralisante nas mãos. O pior em cada coisa é não saber se ensurdeceste à minha voz, o pior em tudo é pressentir que estás desertando de mim e que tudo seca, tudo murcha e se despetala em ausência. Sou o retrato bruto da dor, aqui posta de braços abertos à espera dos teus olhos. Sou eu mesma a dor refundada, delicadamente urdida sobre uma frágil tecitura de memória, imóvel e dócil, como só a tristeza pode compor ao corpo. Espero ínfima, mansa e imolada inseta na teia pela tua fome, ou teu abandono. -Ticcia-




- Postado por: ßorbolet@ @zul às 01h37
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Ah, mas aqui, onde irreais erramos

Ah, mas aqui, onde irreais erramos,
Dormimos o que somos, e a verdade,
Inda que enfim em sonhos a vejamos,
Vemo-la, porque em sonho, em falsidade.

Sombras buscando corpos, se os achamos
Como sentir a sua realidade?
Com mãos de sombra, Sombras, que tocamos?
Nosso toque é ausência e vacuidade.

Quem desta Alma fechada nos liberta?
Sem ver, ouvimos para além da sala
De ser: mas como, aqui, a porta aberta?

Calmo na falsa morte a nós exposto,
O Livro ocluso contra o peito posto,
Nosso Pai Roseacruz conhece e cala.

[Fernando Pessoa]

Ficou entre os meus dedos
Como um espólio do sentimento
A sensação dos seus cabelos
Meio grisalhos
Na última noite
Que nos amamos

A que viemos seres humanos?

Se o amor que nos distingue
Como um estorvo em nós se extingue?

Adilson  Rodrigueiro (Cantos da Alma)



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 22h09
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Esta pombinha da paz voa de site em site, de blog em blog.

 

 

Ajude-a a fazer a volta ao mundo.

Aqui neste blog ela chegou em 13/02/08 às 00:12:36

E veio direto do blog "Amor Sem Pudor"

 



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 00h21
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Quando a hora dobra em triste e tardo toque

Quando a hora dobra em triste e tardo toque
E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,
Quando vejo esvair-se a violeta, ou que
A prata a preta têmpora assedia;

Quando vejo sem folha o tronco antigo
Que ao rebanho estendia sombra franca
E em feixe atado agora o verde trigo
Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;

Sobre tua beleza então questiono
Que há de sofrer do Tempo a dura prova,
Pois as graças do mundo em abandono

Morrem ao ver nascendo a graça nova.
Contra a foice do Tempo é vão combate,
Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.
                             -William Shakespeare-

 

" QUANDO EU MORRER VOLTAREI PARA BUSCAR OS INSTANTES QUE NÃO VIVI JUNTO DO MAR" Sophia de Mello Breyner Andresen



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 00h27
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Quantas vezes, Amor, me tens ferido?

Quantas vezes, Amor, me tens ferido?
Quantas vezes, Razão, me tens curado?
Quão fácil de um estado a outro estado
O mortal sem querer é conduzido!

Tal, que em grau venerando, alto e luzido,
Como que até regia a mão do fado,
Onde o Sol, bem de todos, lhe é vedado,
Depois com ferros vis se vê cingido:

Para que o nosso orgulho as asas corte,
Que variedade inclui esta medida,
Este intervalo da existência à morte!

Travam-se gosto, e dor; sossego e lida;
É lei da natureza, é lei da sorte,
Que seja o mal e o bem matiz da vida.

[Manuel Maria Barbosa du Bocage]

Versos de orgulho

 

O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.

Porque o meu Reino fica para além...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!

O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor?
__O jardim dos meus versos todo em flor...
A seara dos teus beijos, pão bendito...

Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
__São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.

Florbella Espanca

Fonete:Seu presente...Seu Sonho Junho/2006

Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!
-Cecilia Meireles-



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 00h42
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Supremo enleio

Quanta mulher no teu passado, quanta!
Tanta sombra em redor! Mas que me importa?
Se delas veio o sonho que conforta,
A sua vinda foi três vezes santa!

Erva do chão que a mão de Deus levanta,
Folhas murchas de rojo à tua porta...
Quando eu for uma pobre coisa morta,
Quanta mulher ainda! Quanta! Quanta!

Mas eu sou a manhã: apago estrelas!
Hás de ver-me, beijar-me em todas elas,
Mesmo na boca da que for mais linda!

E quando a derradeira, enfim, vier,
Nesse corpo vibrante de mulher
Será o meu que hás de encontrar ainda...

-Florbela Espanca-

De canto e hora meu nada se enlouquece
neste espanto de ver e de não ser
e na pergunta a resposta se empobrece
sem luz de outra manhã, o acontecer.

No turbilhão do pequeno
o breve esquece

-Salette Tavares-



- Postado por: ßorbolet@ @zul às 23h14
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